Organizações a ouvir os cidadãos
Organizações a ouvir os cidadãos
O projecto “Encontro pelas Florestas: Nutrindo a Rede de Regeneração ” foi desenvolvido e promovido pela Reflorestar PT no âmbito do programa Catalyst of Change (Netherlands Helsinki Committee), cujo objectivo é apoiar uma sociedade civil vibrante. Pretende-se com este projecto fomentar uma forte coligação onde a voz das populações tem espaço. A ReflorestarPT encontra-se profundamente alinhada com os princípios dos seus parceiros: o movimento Faixas Vivas, que defende a transição para uma paisagem rural multifuncional, resiliente ao fogo e biodiversa e a Assembleias de Cidadãos Portugal, que promove o diálogo colaborativo e a criação de uma coligação de representação nacional de organizações e cidadãos.
Abertas a todos os membros da sociedade civil aconteceram 3 Assembleias de Cidadãos presenciais e uma Online de forma a garantir a participação inclusiva, sobretudo de grupos vulneráveis, em debates sobre regeneração ambiental e políticas públicas. Assim, pretendemos fortalecer a democracia participativa e a justiça ambiental, assegurando que comunidades afetadas influenciem decisões políticas.
AGENDA
Preliminarmente às assembleias, criamos uma wikisurvey utilizando a plataforma Pol.is, para estimular a participação da população em geral e ajudar na definição da agenda (mapear clusters de opiniões e tópicos polarizadores). Essa etapa iniciou-se no mes de julho e as contribuições do público em geral foram levadas às assembleias regionais até a assembleia nacional online. As contribuições das assembleias, por sua vez, foram levadas aos Encontros Regionais de Organizações, alimentando as suas recomendações.
Abaixo, uma contribuição obtida antes da primeira assembleia é um exemplo de tópico divisivo:
SELEÇÃO DOS PARTICIPANTES
O convite aos cidadãos para as assembleias regionais contou com o apoio das organizações envolvidas, mediante a distribuição de folhetos fora das redes sociais. O universo de seleção de cidadãos foi baseado em inscrições e os critérios de estratificação foram mínimos: paridade de género e paridade de faixas etárias. O uso de inscrições foi incontornável pela limitação dos recursos mas, apesar de tendencialmente privilegiar grupos politicamente ativos, funciona para abrandar a sua oposição à seleção por amostragem (que pode ser desproporcionalmente ruidosa). Quantidade de selecionados: 15 a 30 por cada uma das 3 regiões.
PARTILHA
As assembleias iniciaram-se com as partilhas de especialistas e de membros da assembleia em plenário. A ideia foi de equilibrar as perspetivas sobre os temas em discussão. Essas partilhas seguiram nas mesas, em pequenos grupos, ao longo de todo o evento.
FACILITAÇÃO
As assembleias regionais foram facilitadas por membros das organizações parceiras, contando com uma pessoa da Reflorestar Portugal na supervisão. Cada mesa de trabalho reúniu de 4 a 6 pessoas. Para a transcrição e análise do conteúdo das mesas utilizamos a plataforma Dembrane - People Know How.
A assembleia de cidadãos online reuniu 60 participantes, maioritariamente provenientes das sessões presenciais.
DELIBERAÇÃO
As conversas seguiram os princípios da escuta ativa, do equilíbrio do tempo de fala e das argumentações construtivas. Tanto nas mesas como no plenário, foram estruturadas de forma a garantirem momentos de contribuição individual e momentos de construção coletiva, com ferramentas para facilitar as tomadas de decisão e a construção de consenso ou consentimento.
RECOMENDAÇÕES
As propostas de cada assembleia regional foram levadas ao encontro de organizações da mesma região. Após essa auscultação, as organizações construíram propostas que foram levadas à assembleia nacional online para avançar melhorias e consentimento. Por fim, as propostas da assembleia irão ao Encontro pelas Florestas, em maio de 2026, onde será redigido o documento final de recomendações.
"Monoculturas, Biodiversidade & Incêndios" Alternativas para uma Economia mais Resiliente
A região centro, é o epicentro da fileira florestal, marcada pela fragmentação fundiária e pela expansão de monoculturas de eucalipto e pinheiro, criando um modelo produtivo frágil face ao fogo e à degradação ecológica. Este padrão resulta da rentabilidade destas espécies e da ligação à indústria, mas gerou paisagens homogéneas e envelhecidas que alimentam incêndios e desertificação.
Urge transitar para uma silvicultura próxima da natureza, baseada na diversidade e em soluções baseadas na natureza, capaz de restaurar solos e aumentar a resiliência.
Essa mudança, contudo, só será viável se construída com os proprietários, respeitando a herança cultural e apoiada em redes cooperativas e uma visão a longo prazo.
Data: 25 de Outubro 2025
Local: A Mina – Lousã
"A Agrofloresta: Promoção de sistemas regenerativos e multifuncionais"
No sul do país, em particular no Alentejo, o montado – sistema agroflorestal único e ancestral – está ameaçado pela expansão de monoculturas intensivas como olivais e amendoais. O despovoamento rural e a procura de produtividade imediata fragilizam a gestão deste ecossistema, comprometendo a biodiversidade e os serviços ambientais.
A agrofloresta regenerativa oferece uma alternativa sustentável, restaurando solos, água e carbono, enquanto diversifica rendimentos. Valorizar o montado e apoiar a transição agroecológica é essencial para preservar a identidade cultural e ecológica do sul do país.
Data: 8 de Novembro 2025
Local: Nativa - São Luis, Odemira
"Prevenção de Incêndios Florestais: O Paradoxo da Eterna Gestão de Combustível"
No norte, a tradição de gestão comunal, fogo controlado e práticas agro-silvo-pastoris mostra que a percepção de “boa gestão” florestal varia entre comunidades. A remoção indiscriminada compromete soluções baseadas na natureza, como a regeneração natural, os mosaicos biodiversos e os corredores ecológicos.
É preciso reconstruir paisagens vivas e diversas, com a prevenção ancorada no diálogo, ecologia e planeamento territorial.
Data: 29 de Novembro 2025
Local: Ervas Finas – Fonteita, Vila Real